Surpresa – Tainá Monique Schaffer

É claro que ninguém espera cair numa emboscada, muito menos no Natal, né? Mas, às vezes, as pessoas que nos amam pregram as melhores peças. Afinal, alguém tem que garantir a nossa felicidade, né?

Tainá trouxe esse conto fofíssimo, pra aquecer nossos corações. Aproveitem!

Aumento o volume do aparelho de som do carro, a playlist que está tocando contém minha seleção de músicas natalinas favoritas, o que me parece adequado para o dia de hoje. Ontem pela noite, tentei deixar tudo o que precisaria para hoje já organizado, pois assim teria uma falsa sensação de controle, e talvez, estivesse  mais preparada para os eventos que esse feriado natalino pode trazer. Afinal, se tratando da minha família, todos os feriados juntos podem ser surpreendentes e cheios de emoção. 

Empolgada pela música viciante que estou ouvindo em todo canto nos últimos tempos, canto junto a plenos pulmões e bato a mão direita contra o volante do carro seguindo o ritmo da música.

Olho meu reflexo no espelho retrovisor interno e sorrio para o que vejo. Minha mãe com certeza, vai comentar sobre o tom vermelho em meu cabelo. Não que o seu comentário seja  algo ruim, mas confesso que o pintar o cabelo nas vésperas do Natal foi apenas para ver quais comentários viriam sobre isso. Acho que nunca vou me cansar de testar a reação da minha família para minhas escolhas de aparência. E de brinde, o vermelho ainda ajuda a entrar no clima natalino. 

Desde que eu era muito nova, minha mãe costuma me descrever como sendo uma pessoa muito “original”. Eu nunca ligo para como minha aparência é  vista pelas outras pessoas, já que eu me sinto  bem daquele jeito. E ela nem sempre entende isso. À medida que me tornei adulta e isso continuou, minha mãe parou de se preocupar com o jeito que  eu me expresso ,  passou a achar que é  o meu estilo, e que está tudo bem. 

Sou muito  diferente da minha irmã mais velha. E isso não se limita apenas ao meu jeito de me expressar.

Enquanto eu ainda vivia com minha família, já havia me afastado deles o máximo que era possível. Ainda convivemos bem e de maneira educada, um participando da vida do outro, mas sempre estabeleço  limites. E eles sempre os respeitam, ou pelo menos tentam

Meus irmãos e eu  somos muito diferentes uns dos outros. Entendemos, desde muito cedo, que o melhor era respeitar nossas diferenças e tentar, portanto, fazer nossa relação ser algo agradável, apesar disso. 

Nos últimos anos, passamos a nos ver menos e também a conversar menos. Nossas vidas nos mantêm afastados uns dos outros e já estamos acostumados a isso. Não desenvolvemos uma relação ruim, mas sempre senti que não queria ficar presa às pessoas, e isso se aplica também à minha família. 

Depois que eu saí de casa para fazer faculdade, nossos encontros se tornaram apenas em datas festivas. Apesar disso, a relação de maior proximidade que ainda tenho é com a minha mãe, principalmente por ela fazer eu me sentir culpada quando fico muitos dias sem ligar ou sem dar “satisfação do que estou fazendo da minha vida para aquela que me gerou”.

Eu e minha irmã mais velha vivíamos discutindo e termos nos tornado adultas não mudou nossa relação em nada. Meu irmão mais novo continuou sendo o tipo de pessoa que não se importa com os outros, e, sinceramente, tudo bem, porque esse é o jeito dele de ser e sempre fui à  favor de sermos do jeito que somos, sem mentiras e sem fachadas. E lá no fundo, mesmo que eu nunca vá aceitar dizer isso em voz alta, acho que somos mais parecidos do que gostaríamos. É até legal que nós três tenhamos continuado com a personalidade bem parecida com como sempre foi, desde que éramos crianças. Sinto que dessa forma eu sempre vou ser capaz de conhecer meus próprios irmãos e de entender o porquê de suas atitudes. 

Meu pai não se esforça muito para ser presente e eu não me dou  ao trabalho de tentar fazê-lo ser presente. Ou seja, nunca tivemos uma proximidade. Nos últimos anos, as coisas mudaram um pouco, mas ainda não estão do jeito que algumas pessoas — minha mãe — gostariam que fosse.

Como em todos os outros anos, é obrigatório que toda a família esteja reunida no Natal. Minha mãe passa meses falando sobre a importância de estarmos todos juntos, e acredito que nenhum de nós teria coragem de desapontá-la em não aparecer. 

O Natal deste ano tem tudo para ser uma loucura, já que recebi avisos de antemão que haverá uma notícia importante a ser dada. Se eu fosse uma pessoa de apostar, o que eu não sou — menos quando estou com meus amigos, e as apostas giram em torno de quais besteiras somos capazes de fazer —, eu diria que minha irmã vai casar ou ter um bebê. É a cara dela usar o Natal para informar a todos sobre algo do tipo. Como se fosse necessário um evento importante para informar algo a todos e tornar tudo ainda mais especial

Às vezes me questiono se eles não conhecem o conceito de autonomia. Parece que tudo deve ser feito sempre envolvendo os outros. Não consigo viver minha vida dessa maneira, e acho surpreendente ver minha irmã sempre querer incluir todos em todos os momentos importantes dela. Mal nos vemos e sempre brigamos, mas sempre recebo um e-mail informando a programação da semana dela, as coisas importantes que aconteceram em seu dia e até mesmo sobre como o seu relacionamento é emocionante. Nada contra, na verdade. Fico feliz por ela, só que eu nunca me sinto  confortável em compartilhar nada da minha vida com ninguém, nem mesmo com meus amigos.

Me sinto até mesmo nervosa em fazer isso. 

Costumo comentar e sempre reclamar do jeitinho que cada pessoa da minha família é, mas secretamente amo isso em cada um deles, e gosto que sejam desse jeito — pois é desse jeito que sempre nos encaixamos e que quero que continuem fazendo parte da minha vida. Mesmo que eu goste do meu espaço, gosto quando eles tentam invadir esse espaço para fazer parte da minha rotina, e claro, nunca direi isso para ninguém.

Quando estaciono em frente à casa de meus pais, reconheço os carros dos meus irmãos estacionados por perto. Respiro fundo, me preparo para sair de dentro do carro, onde o ar condicionado está ligado, e crio coragem de enfrentar o calor.

Assim que saio do carro, resmungo pela mudança de temperatura entre o agradável clima gerado do ar condicionado e com o verão explodindo em meu rosto, do lado de fora dele. Não há ninguém na rua, então me permito alguns segundos de tranquilidade. Gosto do silêncio e sei que no momento em que cruzar a porta de entrada da casa em que cresci, isso irá acabar. Será só um dia! Só um dia eu sou capaz de aguentar sem surtar ou discutir com ninguém. 

Ajeitei meu vestido, olho para o coturno que estou usando, apesar do calor insuportável e de sentir que meus pés estão implorando por um piso gelado para aliviar o calor,  e sorrio. Estou pronta para a loucura que é minha família. Sendo sincera, eu senti falta deles nesses últimos meses.

Abro a porta sem nem bater e sou atingida pelo barulho vindo da cozinha. Ando em sua direção e respiro fundo, me preparando para encontrá-los.

— Feliz Natal! — elevo meu tom de voz e sorrio, de braços abertos ao entrar na cozinha. Assim que olho ao redor para as pessoas que estão na cozinha, abaixo os braços e paro de sorrir. 

Ah, que legal. Por essa surpresa eu não esperava. 

Rio nervosa e olho para minha mãe, tentando evitar olhar mais ainda para a pessoa que desgraçou minha adolescência e que me fez querer sair dessa cidade para nunca mais voltar. 

— Bárbara! — Minha mãe fala animada ao se aproximar de mim e me abraçar. Sinto cheiro de comida em sua roupa e, ainda, do perfume que ela sempre usou. Retribuo o abraço e tento sorrir para ela.

— Oi, mãe. Você está bem? 

— Sim, minha filha. Gostei do cabelo — ela segura alguns fios pintados de vermelho entre seus dedos e sorri. Sabia que ela iria falar algo logo que me visse. — Essa cor combina com você, meu bem.

— Que bom que gostou, mãe.

Minha mãe então se afasta e minha irmã assume seu lugar me dando um abraço. 

— Oi, Barb — ela é rápida ao me abraçar, e logo já volta sua atenção para o preparo da refeição, sem me dar tempo de responder.

— Oi — falo, mas ela já não está prestando atenção. 

Me viro, então, para Letícia. Minha ex vizinha, ex melhor amiga. Ex namorada também, mas essa parte ninguém nunca soube.

— Letícia — apenas aceno de cabeça, e ela retribui. Não nos aproximamos e nem nos olhamos por mais do que alguns poucos segundos.

Saio da cozinha, após conferir o que estão preparando para o almoço e vou procurar pelo meu pai e irmão.

Encontro os dois sentados na área da churrasqueira aos fundos da casa, cada um com uma cerveja em mãos e em silêncio. Apenas aceno para eles e digo um oi, sem me aproximar. 

Não quero voltar para a cozinha, mas também não quero ficar aqui atrás com eles. Por coisas como essa que sempre evito vir até essa casa. Só que, até então, eu nunca havia dado de cara com a Letícia. Geralmente ela está longe nessa época do ano e é um espaço seguro para eu estar.

Dou uma risada nervosa. Não é a primeira vez que nos vemos desde que eu fui embora, mas sempre é como se fosse a primeira vez. Eu sempre sinto novamente como me senti quando ela partiu meu coração. 

Éramos amigas desde pequenas, nos aproximamos muito na adolescência, e juntas, descobrimos que nos gostávamos de um jeito que não gostávamos de nossos outros amigos. Com o tempo acabamos nos relacionando e mantivemos em segredo por quase um ano, até que ela decidiu que não queria mais, que não gostava de mim de verdade e que preferia não ser mais minha amiga. 

Foi fenomenal. Principalmente por ela nunca ter tido coragem de dizer, olhando em meus olhos, o real motivo para ter se afastado de mim de um dia para o outro. 

Desde então aproveito qualquer desculpa que tenho para me manter longe dela, mas minha família não saber do nosso relacionamento não facilita em nada quando me encontro em situações embaraçosas como agora. 

Sabia que devia ter inventado uma desculpa melhor quando eles me cobraram explicações do porquê da nossa amizade ter chegado ao fim. Só que eu estava sentindo, pela primeira vez, como era ser rejeitada e não estava sabendo lidar muito bem com isso. E até então ainda não aprendi a lidar com o fato de ter sido rejeitada por ela. 

Frustrada por não ter muito o que fazer com meu pai e meu irmão, voltei para dentro de casa.

— Meu amor, eu deixei a árvore para você montar — Minha mãe tem o costume de fazer isso todos os anos, desde que me tornei decoradora de interiores, e ela acha que eu montar a árvore sozinha é como um presente especial para mim. Costuma ser, e hoje deve ser uma distração por pelo menos uma hora.

Ou seria, se quando eu chegasse na sala, Letícia não estivesse me esperando.

— Quer ajuda? — ela sorri, segurando um enfeite nas mãos. 

A encaro e faço questão de não disfarçar a expressão de desgosto em meu rosto. Talvez assim ela perceba que não é uma boa ideia se aproximar de mim e vá embora. 

O ar condicionado deveria estar ligado, então por que eu estou sentindo tanto calor? Torço para que o ar condicionado esteja quebrado, e não que seja meu corpo reagindo à presença dela no mesmo ambiente que eu. Só eu e ela.

Eu vou  surtar e dessa vez não é brincadeira.

Preciso ter foco.

Preciso lembrar que são só alguns momentos e que ninguém falou que ela ficará o dia inteiro. Deve ir embora logo, e isso vai chegar ao fim. E mais uma vez vou estar livre dela.

Assim espero.

— Vou aceitar sua ajuda se ela significar que você vai guardar isso em qualquer lugar e sair do cômodo em que eu estou. Pode ser? — vitória! Minha voz conseguiu sair normal e não como se eu estivesse extremamente em pânico como realmente estou.

— Não, acho que esse tipo de ajuda não está disponível. 

— Ah, que triste então. Não preciso de ajuda, mas veja se não tem nenhuma criança na rua precisando de ajuda para sair correndo atrás de uma bola. Você é tão boa em sair correndo, que aposto que iria aproveitar melhor o seu dia — eu realmente não podia perder essa oportunidade. 

Me aproximo dela, sorrindo e tentando disfarçar o tremor em minhas mãos, que aumentou com a proximidade e puxo o enfeite de sua mão. 

— Obrigada por estar presente nesse dia de Natal, mas você não tem família para atormentar? Precisa vir justamente me atormentar?

— Bárbara! — O meu nome gritado surpreende tanto a mim quanto  a Letícia, e quando me volto para a pessoa que o gritou tantas vezes desde que eu nasci, encontro minha mãe nos encarando. — O que está acontecendo aqui?

— Eu estou tentando montar a árvore, mas a Letícia resolveu me atrapalhar. Será que ela pode ajudar vocês na cozinha? Eu prefiro trabalhar sozinha. 

Letícia sorri para minha mãe e sai da sala sem falar nada. Minha mãe, pelo contrário, continua me encarando do mesmo lugar.

— Acho que alguém vai ter um dia bem interessante hoje.

— Como assim? — Questiono, mas ela apenas sai, me ignorando.

Tento manter minha concentração no processo de montar a decoração da árvore de Natal, e uma hora passa rápido. Só que, infelizmente, não consigo parar de pensar em um único minuto, em todas as vezes em que Letícia montava a árvore comigo e ríamos, durante horas, sobre como éramos péssimas nisso. E com isso, o momento de falsa tranquilidade se passa e fico com receio de que vá ser o único do dia. 

Quando retorno para a cozinha, com a intenção de informar que terminei, e que cada um pode organizar os seus presentes embaixo da árvore, escuto a risada inconfundível de Letícia. 

Não sou capaz de lembrar quantas madrugadas passamos conversando em meu quarto, ou até mesmo nessa cozinha. Ela rindo sempre de um jeito contagiante e eu sempre pedindo para ela fazer menos barulho, para não acordarmos ninguém.

A risada dela foi uma das coisas que fez eu perceber que estava apaixonada. Que surpresa, sou o pacote completo do clichê. Quem poderia imaginar isso?

Antes de entrar na cozinha, respiro fundo algumas vezes e tento convencer a mim mesma,e principalmente o meu coração, que resolveu ter problemas de memória e achar que a risada dela ainda é linda, de que isso é só temporário. 

— Eu terminei de decorar a árvore — todos me encaram quando entro na cozinha e me assusto ao ver meu pai sorrindo na direção de Letícia.

Fico confusa com o que está acontecendo.

— Tenho certeza de que ficou incrível — Letícia sorri ao elogiar.

— Você não pode elogiar uma coisa que nunca viu, só para que eu te deteste menos — falo sem nem pensar, e me arrependo no momento seguinte .

Ela continua sorrindo, mas percebo que meu comentário pode ter sido um pouco ruim.

— Bárbara! — minha mãe me chama. Sorrio para ela, como a boa filha que devo ser. — Já iremos almoçar, se prepare. 

Saio da cozinha e me tranco no banheiro. Fico de frente para o espelho encarando meu reflexo.  O dia vai ser longo.

Quando vou até a mesa bem organizada e arrumada, percebo que até agora, em nenhum momento, foi comentado sobre a tal surpresa. Começo a me questionar se, por acaso, a surpresa não seria a presença da minha ex melhor amiga. Espero que não. 

Letícia foi colocada para se sentar justamente de frente para mim, e toda vez que olha na minha direção , sorri para mim. Essa mulher não tem ideia de como isso me faz querer sair correndo o mais rápido possível de dentro dessa casa. Tenho que usar todo o meu autocontrole para permanecer sentada e aguentar até o fim dessa refeição. 

O almoço é longo, e fico em silêncio a maior parte do tempo, apenas falando quando sou questionada por minha mãe sobre coisas do meu emprego. Ninguém mais tenta falar comigo e eu agradeço por isso.

Em um momento, quando termino de comer e estou apenas olhando para o meu prato vazio, sinto um toque de leve contra meu pé. Estranhando isso, olho por baixo da mesa para quem pode ter sido, já que todos parecem estar tão concentrados na conversa. Não há pé algum próximo de mim. Mas ao olhar para Letícia, percebo que ela está sorrindo novamente para mim.

Acredito que daqui  a  pouco ela vai ficar com câimbra nas bochechas pelo tanto que sorri. A encaro, sem esboçar reação alguma por alguns poucos segundos, e então, crio coragem, me levanto da mesa e levo meu prato para a cozinha. Lavo minha louça e saio de dentro da casa, num ato de desespero buscando ar e espaço. 

Preciso ficar longe dela. Ficar tão próxima não dói como na época em que éramos adolescentes e ela me deixou, mas incomoda. Como ela pode sorrir para mim desse jeito sabendo que tudo entre nós foi arruinado quando ela partiu meu coração? Como ela pode agir desse jeito comigo, sabendo o quanto me magoou e o quanto eu gostava dela? 

Será que ela não sabe o quanto eu senti a falta de nós duas juntas? Não só como namorada, mas como amigas. Ela era a pessoa mais próxima de mim e nunca teve a decência de me explicar o motivo para não querer mais que eu fizesse parte de sua vida. 

E agora, aqui estamos nós. Ela age como se nada tivesse acontecido anos atrás e eu, por algum motivo que ainda não compreendo, sentindo que cada vez que ela se aproxima ou sorri, eu gostaria de esquecer tudo o que aconteceu e deixar ela se aproximar cada vez mais.

Não sou tão clichê a ponto de dizer que, depois dela, nunca amei ninguém. Amei sim, me diverti com outras pessoas, fiz outras amizades. Mas ela não deixou de ser a primeira pessoa que eu amei e com quem me relacionei. Sempre será algo importante para mim de um jeito que mais ninguém será. Só que não sou tão iludida a ponto de, só por ela estar aqui sorrindo para mim, fingir que nada de ruim aconteceu.

Eu sempre quis uma explicação para o porquê dela ter feito o que fez. Ela não apenas terminou nosso relacionamento, ela terminou nossa amizade. Tínhamos prometido que nunca deixaríamos nada acabar com nossa amizade, e no fim, nós duas quebramos essa promessa.   

Depois de um tempo sozinha, minha mãe me chama e avisa que só falta eu organizar os presentes embaixo da árvore.

Fiquei tão distraída com todo o drama envolvendo meus sentimentos e a presença de Letícia, que esqueci o porquê de estar aqui. É Natal, e eu passei semanas pensando em presentes legais para minha família.

Quando volto com todas as sacolas de presentes que busquei no carro, encontro Letícia sentada no sofá da sala. Ela sorri para mim, mas continua mexendo em seu celular. Não sei como aguentei tanto tempo me mantendo distante dela para hoje, justamente hoje, no Natal, eu ser tentada com sua presença. 

Passei anos dizendo para mim mesma que tinha superado quando ela me deixou, quando disse que não queria mais nada comigo. Mas será que eu superei mesmo?

Me ajoelho em frente à árvore de Natal e organizo os presentes que comprei. Temos essa tradição de sempre dar um presente para cada um.

Sinto muito, Letícia, mas eu não tinha a menor ideia da sua presença essa noite, quando eu fui comprar meus  presentes, e dispenso a ideia de um abraço pelo clima natalino. Um abraço pode ser muito perigoso, já que, afinal, me daria a chance de sentir o cheiro do perfume dela. 

Será que ainda é o mesmo perfume que sempre usava e eu que costumava sentir escondida, toda vez que ia até o seu quarto? O mesmo perfume que eu ficava sentindo sempre que a abraçava?

Ah! Pela primeira vez em anos, eu acredito que não é minha família que mais tira minha sanidade, mas sim essa mulher. Letícia deveria estar no meu passado, e não atormentando meu dia de Natal em família, com esse sorriso doce e seus  olhos brilhantes. Como alguém pode ter olhos tão brilhantes? Os olhos dela sempre chamaram minha atenção. Desde crianças, esses olhos foram as coisas mais bonitas no mundo, para mim. E fico irritada por ainda achar isso. 

Minha mãe entra na sala e sorri para mim, chamando minha atenção. 

— Você pode conectar alguma playlist de músicas natalinas do seu celular para tocar na televisão? — Ela se joga no sofá ao lado de Letícia e segura a mão daquela que um dia foi minha melhor amiga. — Pode, filha?

— Você não prefere assistir a algum filme, mãe? — afinal, essa é nossa tradição de todos os anos.

Sempre após o almoço, assistimos filmes todos juntos e depois, antes do jantar, trocamos os presentes. 

— Pensei em aproveitarmos esse momento da tarde para conversarmos. Com o filme isso fica um pouco difícil.

— Claro. Já vou fazer isso.

Procuro por onde deixei minha bolsa e pego meu celular dentro dela. Abro a primeira playlist de natal disponível no aplicativo de música e uma canção que eu costumava ouvir quando criança toca, assim que conecto o celular à televisão.

— Gosto dessa música. Me lembra de tantos Natais em que vocês ficavam brincando nessa mesma sala — minha mãe olha de mim para Letícia e, nesse momento, o restante das pessoas da minha família entra na sala. 

Estranho o fato de que todos ficam parados próximos às saídas, como se estivessem bloqueando qualquer espaço de fuga. Me sinto um pouco nervosa com isso e ao olhar para minha mãe, ela sorri docemente. Algo está acontecendo e eu tenho certeza de que sou a única a não saber. 

— Vamos fazer um pouco diferente esse ano — minha irmã chama minha atenção ao se aproximar de mim. — Iremos adiantar o momento dos presentes, mas só para você. Os outros ficarão como costumamos fazer.

— Não entendi.

— O seu presente deste ano — Letícia é quem fala -, sou eu. 

— Dispenso. 

— Recusar o presente é feio.

— Não quando o presente é algo que eu realmente não quero. Dispenso, Letícia. Agora, eu gostaria muito de ir ao banheiro — resmungo, procurando por uma desculpa para sair dessa situação o quanto antes. Não posso perder a cabeça e nem o controle das minhas palavras. Porque, sendo bem sincera, não confio no que posso acabar fazendo, se continuar muito tempo no mesmo ambiente que ela, principalmente com esse papo de ela ser o meu “presente”. Não sei nem se quero descobrir o que eles estão aprontando dessa vez.

— Você não vai. Precisamos de você. Pelo menos uma vez na sua vida, preste atenção em uma coisa — minha irmã se aproxima ainda mais de mim e segura meus ombros. — Nós sempre soubemos de tudo, e estamos cansados de ver você adiando a solução dos seus problemas por medo de encarar a verdade.

Do que ela está falando? Encarar que verdade?

— Eu não faço ideia do que está acontecendo aqui — dou uma risada nervosa.

— Eles sabem — Letícia responde. — Sempre souberam. Nós duas nunca fomos boas em manter nada em segredo. 

— Eu continuo sem entender o que está acontecendo — me viro novamente para Letícia. — E você, por favor, não fale comigo. Já estou nervosa, você não está me ajudando em nada.

— Bárbara! Eu tentei por anos conversar com você…

— E eu achei que você já tinha entendido que eu não quero conversar com você. Eu quis muito conversar com você, mas não quero mais. Faz algo por mim dessa vez, e me deixa! — Meu tom de voz acaba mostrando que me sinto magoada, o que eu preferia não mostrar para ela.  

Minha irmã se afasta de mim e ri, nervosa. Quando se aproxima novamente, sua expressão é séria. 

— Bárbara, você precisa prestar atenção no que vou te falar agora — minha irmã se abaixa à minha frente. — Sabemos que você nem sempre quer fazer parte dessa família, assim como não quer que nós a conheçamos. Mas isso não muda o fato de que nós reparamos em você. 

— O quê? — Dou uma risadinha e tento ir para trás, para me desvencilhar dela. 

Minha irmã toca de leve em meu braço, e ao olhar ao redor, percebo que estão todos me encarando. Emocionante. Estamos no feriado anual de colocar a Bárbara contra a parede e todos esqueceram de me avisar? É isso?

— Meu amor — minha mãe é mais gentil ao falar comigo -, você nunca quer compartilhar nada com sua família e sempre entendemos isso.

— Apesar de acharmos que isso significa que você não gosta de ninguém e faz a gente gostar um pouco menos de você — meu irmão complementa em seguida, levando um tapa no braço de meu pai. 

— Mas — minha mãe continua como se não houvesse sido interrompida pelo meu irmão mais novo, sempre prestamos atenção em tudo. Nunca nos envolvemos mais do que sabemos que você aceitará, mas está na hora de você conversar com todos aqui e se abrir um pouco mais. 

— Por que eu faria isso? Não há nada que eu precise falar ou — olho na direção da única pessoa que está realmente em silêncio e mais distante de todos — que eu preciso fazer.

— Ah, não. Já chega — minha irmã abre os braços exasperada. — Minha paciência para isso está se esgotando desde que elas eram adolescentes. Não sei como vamos fazer isso sem eu gritar na cara dela o que está acontecendo. 

Todos ficam em silêncio e me encarando. Começo a ficar preocupada com o rumo que essa conversa pode ter.

Começo a, finalmente, juntar as pistas que até agora recebi.

Letícia está aqui, todos querem falar comigo e insinuaram que sabem sobre nós duas. Acho que essa conversa vai para um caminho que eu não estou nada interessada.

— Eu prefiro ir embora — gemo baixinho, sem que ninguém ouça. 

Ainda sentada no chão da sala, me jogo para trás e cubro o rosto com os braços. Suspiro e penso em alternativas para fugir dessa conversa.

— Bárbara? — Minha mãe soa preocupada.

— Eu não quis falar sobre isso quando eu era mais nova, ainda não quero e tenho certeza, nunca vou querer. 

— Mas você precisa — minha irmã soa mais calma dessa vez. — Se você continuar fugindo, você vai continuar se magoando.

— Quem disse que eu estou magoada? — me sentando subitamente  e a encaro.

— Eu te conheço há muitos anos,  sei que você está. Você está magoada há muito tempo, e sabemos que é em relação ao que aconteceu com a Letícia. 

— Isso só pode ser brincadeira.

— Não é — Letícia se aproxima, sentando-se ao meu lado e segurando minhas mãos. — Eu entrei em contato com a sua família e pedi uma chance de explicar tudo o que aconteceu e também de fazer você finalmente aceitar conversar comigo.

— Eu não quero conversar com você.

— Ok. Pelo menos me ouve,acho que isso você consegue fazer, antes de sair correndo de mim. — ela começou, sem que eu tivesse tempo de recusar. 

Letícia contou como foi perceber que estava apaixonada por mim e como isso a assustou. Que, no início, foi algo maravilhoso, mas que com o tempo começou a assustá-la. Éramos muito novas, e ela sentia que estava gostando do que tínhamos mais do que deveria, mais do que eu gostava. E por medo de me deixar saber disso e eu não retribuir o que ela sentia, ela se afastou.  Segundo Letícia, eu pareci sentir tanta raiva depois dela ter terminado comigo, que ela preferiu se afastar mais ainda e não manter a amizade. 

Não comento nada. A história dela faz sentido ao mesmo tempo em que eu não quero aceitar ou acreditar.

— Passei anos pensando em você e na forma como eu fui ao terminar com você. Nunca dei chance de termos uma conversa e eu errei nisso. Você merecia ter tido a chance de pelo menos falar o que sentia.

— Eu sentia o mesmo — digo em um tom baixo, antes mesmo de pensar. — Eu sentia o mesmo por você, e você partiu meu coração, me fez te odiar e me odiar.

— Eu sei, meu amor.

— Não me chama assim e nem de nenhum outro jeito carinhoso — me levanto e ignoro a reação da minha família. — Você não tem mais o direito de fazer isso. Há anos você partiu meu coração. Eu superei, não é necessário que você venha até aqui para tentar me fazer te odiar menos.

— Não é isso que eu quero. Eu quero que você saiba que eu ainda gosto de você e quero você novamente na minha vida.

Dou uma risada e ela me encara confusa.

— Isso só pode ser brincadeira. Sério, como você acha que eu poderia voltar para você?

Mas meu coração não concorda com o que eu falo. Ele fica acelerado e sinto vontade de abraçar Letícia e dizer que tudo está bem, que podemos lidar com todos os anos longe e que tudo o que importa é que ela sempre gostou de mim do mesmo jeito que eu gostei dela. Afinal, éramos adolescentes e não tínhamos maturidade para lidar com nossos próprios sentimentos, quem dirá com os sentimentos dos outros. 

Mas não posso fazer isso, não posso dar outra chance para ela partir meu coração, pois sinto muito medo de que seja exatamente isso que vá acabar acontecendo. 

— Meu bem — meu pai finalmente se pronuncia. — Vocês precisam conversar sozinhas. Vamos dar espaço para vocês.

— É Natal, eu não quero ter que pensar em nada disso hoje.

— O Natal é a melhor oportunidade para vocês se resolverem. Pensa nisso como o nosso presente para você — meu pai sorri para mim. 

Será que isso não vai acabar, não? O festival de colocar a Bárbara na parede está sendo bem aproveitado por todos, menos por mim. 

— Será que é impossível que tenhamos, algum dia, um Natal normal nessa família? — pergunto frustrada. Saio da sala e vou para a varanda da frente da casa, batendo a porta atrás de mim com força. Nesse momento eu preciso do efeito dramático.  

Assim que me sento no degrau, me arrependo e solto um xingamento em som baixo. Tinha esquecido que provavelmente esse degrau iria estar quente, já que o verão está explodindo em todos os cantos. O ar condicionado da sala de casa estar ligado me fez esquecer que do lado de fora não estaria do mesmo jeito.

Sem querer procurar outro lugar para extravasar minhas emoções, e com muita preguiça de sair dessa varanda, espero por alguns instantes até que a pele das minhas coxas se acostume com a temperatura do chão, e então as pernas à minha frente. Apoio as palmas das mãos no degrau ao lado de minha cintura e inclino a cabeça um pouco para trás, de olhos fechados.

Ouço o barulho da porta atrás de mim sendo aberta e prefiro ignorar. 

Talvez a pessoa que a abriu perceba que não estou interessada em conversar e desista. Reparo que estou enganada quando alguém senta ao meu lado e que ainda esbarra em mim durante o processo.

— Como você está aguentando esse chão tão quente? — Letícia. A pessoa a vir atrás de mim tinha que ser justamente Letícia.

— Só sai — peço, gentilmente, com toda a paciência que consigo ter.

— Por favor, Bárbara. Você sabe que precisamos conversar.

Dou uma risada alta e abro os olhos, olhando diretamente para a estrada, onde algumas crianças brincam chutando bola. Torço para que nenhum chute deles faça a bola bater em meu carro. Evito olhar na direção da mulher que tem total controle sobre meus sentimentos, desde muito antes de eu saber que gostava de mulher. 

Esfrego as mãos uma contra a outra para tirar a poeira que ficou nelas e ajeito meu cabelo em um nó bem ruim e mal feito no alto da cabeça, pois o calor realmente está muito forte.

— Sinto falta do inverno — comento. 

— Bárbara — ela tem um tom de súplica.

— O quê? Você quis conversar, eu estou conversando. Eu sinto falta do inverno.

— Está bem. Vamos falar sobre o inverno — ela se vira para mim e sorri. 

Como ela consegue ficar tão linda sorrindo, nesse calor, enquanto eu sinto que minha pele está coberta de suor? 

— Lembra quando costumávamos ir à escola, bem cedo no inverno, e sempre íamos de braços dados para nos aquecermos?

— Eu estava enganada. Não sinto falta do inverno.

Ela sorri mais ainda e isso me irrita.

Levanto do degrau, escuto ela me seguindo e volto para dentro de casa. Preciso de tranquilidade, mas também preciso fugir desse calor. Será que vão acreditar em mim se eu falar que preciso ir embora agora e que não posso ficar para o jantar? Está quase anoitecendo, talvez acreditem.

Ninguém acreditou, não permitiram que eu fosse embora. Por isso, estávamos na mesa da cozinha. Minha mãe aumentou o volume das músicas natalinas para tentar manter um clima agradável. Ela, em meio a emboscada que armaram para mim, ainda está tentando manter o clima de Natal vivo.

Estou sendo obrigada a ficar sentada na cabeceira da mesa, tendo de um lado Letícia, e de outro minha irmã. Meu pai e meu irmão mais distantes, mas  em silêncio. Aposto — novamente lembrando que não sou de apostas, mas o dia de hoje teria rendido várias vitórias para mim — que eles, assim como eu, só querem que isso chegue ao fim logo.

— Será que vocês vão me deixar ir embora em algum momento? — ´pergunto, forçando um sorriso. 

Para ser bem sincera, acho até legal o que eles decidiram fazer. Eles nunca me forçaram a me assumir e nem a contar a verdade sobre quem eu sou, e sempre estiveram me apoiando,o que eu só percebo agora, mas tudo bem, nunca é tarde para perceber algumas coisas. Mas não me sinto à vontade com pessoas dizendo que estou sendo egoísta.

— Nós duas precisamos conversar e eles concordam com isso. 

Olho na direção de Letícia e fico levemente sem fôlego. Por que eu ainda me sinto dessa forma toda vez que a vejo? Não temos mais quinze  anos. Não sou mais uma adolescente com seu primeiro amor, não sou mais apaixonada por essa mulher, eu a superei.

— Letícia, você perdeu sua chance de conversar comigo há muitos anos. 

— Por favor — ela estica a mão e toca a minha por alguns instantes antes que eu me afaste.

— Chega! — Me levanto de maneira um pouco ríspida. — Esse Natal está sendo mais do que eu consigo e quero aguentar. Eu realmente achei que iria ser possível passar o dia com vocês, sair daqui e ficar mais alguns meses com tranquilidade, podendo cuidar da minha própria vida. Mas não. O que eu encontro quando chego? — Dou uma risada, esticando  a mão em direção à Letícia.

— Vocês aparecem nessa casa, nesse feriado, com ela. A pessoa que fez eu compreender minha sexualidade, que foi minha melhor amiga, o meu primeiro amor e que me magoou mais do que qualquer outra pessoa. E, ao que tudo indica, eu nunca fui capaz de superar. 

Suspiro, está muito calor. Procuro por um copo de água à minha disposição e todos ficam quietos enquanto eu o bebo. Quando volto a encará-los, todos me observam com muita atenção.

— É, Letícia. Eu não devo ter conseguido te superar, porque se eu realmente tivesse superado como eu imaginei que tinha, não estaria  tremendo só de olhar nos seus olhos, ou com vontade de  sair correndo para o mais longe possível desde que vi você essa manhã. Ou não ficaria tentando imaginar se você ainda usa aquele mesmo perfume que eu sempre gostei, e que, por acaso, eu tenho um frasco no meu apartamento que eu nunca tive coragem de abrir, por medo do que sentiria ao lembrar do cheiro — me viro para minha família, pegando eles de surpresa com a informação. — Satisfeitos? Agora vocês sabem mais sobre mim do que souberam em muitos anos. Posso ir embora? 

Não aguardo por uma resposta. Saio da cozinha, pego minha bolsa, a chave do carro e o celular. Corro até chegar ao carro e, assim que me tranco dentro dele, grito. Grito muito. Bato com as mãos contra o volante e aciono a buzina algumas vezes. 

Não me importo que as crianças que, antes brincavam na rua, agora estão todas me encarando.

Eu estou em meu momento particular de surto e preciso descontar isso de alguma maneira, e nos filmes isso sempre parece funcionar. Só que, surpresa, não funciona.

Respiro fundo e massageio a parte da mão que bati com muita força contra o volante, olho na direção da casa dos meus pais e vejo que Letícia está parada na porta, me olhando. 

Para completar a minha vergonha, ela deve ter me visto surtando por ela dentro do meu carro. Pela primeira vez no dia, ela não sorri quando nossos olhos se encontram. Ela parece com ela mesma, como quando éramos amigas, só nós duas. Ela se parece com ela mesma no dia em que disse, pela primeira vez, que me amava. 

Quando percebo já estou do lado de fora do carro, batendo a porta com força e andando decidida até ela. Letícia não fala nada e nem desvia o olhar de mim. 

— Você promete que não vai fazer de novo o que fez da  outra vez? — estou parada há poucos centímetros do seu  rosto. Seus olhos continuam fixos nos meus. Torço por sua resposta e sinto algo dentro de mim ansiando por um novo sorriso em seu rosto. 

— Eu prometo.

Entrelaço meus dedos nos dela e dou mais um passo à frente. Sinto o cheiro do perfume de Letícia e sorrio, pois é o mesmo perfume que eu sempre amei. O cheiro familiar, o toque na sua pele, o beijo. 

Quando enfim afasto meu rosto, ela está sorrindo de olhos ainda fechados. Sorrio, pela primeira vez em muitos anos, ao olhar para ela. Eu nunca consegui superá-la e parte de mim está pensando que talvez isso tenha sido por um motivo. Hoje, no Natal, eu estou me abrindo e aceitando deixar de lado todas as mágoas que existem entre nós. Eu quero ela de volta na minha vida e quero estar de volta na vida dela. Nada parece mais completo do que esse momento.

— Vem — ela aproxima sua boca do meu ouvido. — Todos estão esperando por nós.

— Eles não acham que eu fui  embora?

— Você realmente não conhece sua família? — Letícia ri alto. Sua risada é contagiante e me faz lembrar de todas as noites que passamos em claro, rindo e conversando. — Eles tinham certeza de que se você me visse aqui fora, viria correndo até mim.

— Depois dessa, preciso aceitar que eles me conhecem melhor do que eu mesma. 

Deixo ela me puxar para dentro de cara e encontro minha família nos esperando na sala. 

— Acho que está na hora de eu contar a surpresa que havia planejado para hoje — minha irmã anuncia quando nos vê entrar de mãos dadas. Ninguém comenta mais nada. — Eu estou em um relacionamento e pretendo apresentá-lo para vocês hoje, no jantar. Ele vai chegar daqui a pouco, espero que vocês não me envergonhem!

Dou uma risada e solto a mão de Letícia para ir até minha irmã e a abraço.

— Eu fico muito feliz por você. Obrigada por trazer alguém especial para você no Natal. Gosto desse seu jeito.

E então volto para Letícia, sentada no sofá próxima de minha mãe. Sento entre as duas e sorrio. Minha família começa a entregar os presentes que haviam comprado. Nenhum deles é tão especial quanto a emboscada que fizeram para mim. Não sei porquê, mas o Natal acaba de se tornar minha data preferida em todo o ano.

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*A Tulipa Editora se compromete apenas em revisar a parte gramatical e garantir que as regras foram seguidas. Os textos são de responsabilidade inteirina de seus autores.

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Comments 7

  1. Achei a história bem envolvente.
    Ela vai se desenrolando de uma maneira leve de ler e dá vontade de saber mais.
    Quero parabenizar a escritora, pois acredito que tem talento.
    E agradecer por este conto de Natal que tem a carinha do Brasil e gostinho de quero mais.

  2. Sempre soube quando vi os primeiros escritos desta jovem escritora, e disse: Ela tem talento. Que bom que ela ja sabia disso. Gostei muito do conto. Espero ler muitos mais. Beijos Tainá.

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