Além do Natal – Luana Reis

Sabe aquele famoso ditado, que diz que “há males que vem para o bem”? Quando Eleonora foi obrigada a se separar de seu amado, ela não acreditava muito nessa história. Mas quando um youtuber charmoso se aproxima, o Natal passa a ter um significado todo especial.

Pior que estar num ônibus para um destino indesejado, é estar num ônibus por vinte e quatro horas, com várias crianças chorando e pessoas falando alto. Sem contar o ar condicionado, que fez questão de quebrar em pleno verão de dezembro. Quando finalmente fica tudo tranquilo e consigo pegar no sono, sinto alguém mexer em meu braço.

— Moça, já chegamos.

Olho o horário no relógio de pulso e vejo que são duas da tarde. Quando viro para a janela, vejo a cidade que sempre sonhei em conhecer desde a infância, mas por ironia da vida, vim no momento mais inoportuno: São Paulo.

Desço no Terminal Rodoviário Tietê, pego minha mala e procuro  minha tia, que havia dito que iria me encontrar. Busco dentro da bolsa o celular que minha mãe me emprestou, lembro que, quando me disse que eu teria que ter um celular para me comunicar, fiquei super feliz achando que ela devolveria o meu. Mas quando vi aquele pequeno aparelho, que ainda tinha teclas e nem era digital, percebi que não teria escapatória para o castigo. 

Vejo que não há ligações da minha tia, então decido andar para ver se a encontro e fico surpresa quando percebo que a rodoviária é enorme. 

Acostumada com a minha cidade do interior da Bahia, quero explorar esse lugar. Começo a andar sem rumo, apenas observando tudo e, de repente, alguém puxa minha bolsa e por eu estar tão distraída, levo um susto e começo a gritar.

 — Ei, minha bolsa! Devolva minha bolsa! —  Quando olho ao redor não consigo saber quem foi, o que me deixa apavorada, já que nela estão todos meus documentos, dinheiro e até o celular. 

Tento voltar para o lugar onde estava para ver se minha tia já chegou, mas quando acho que tudo está perdido, vejo dois policiais vindo em minha direção.

 — Boa tarde, moça. Vi você gritando pela sua bolsa e por coincidência, o ladrão estava passando em minha frente e consegui pegar a tempo. Você deu muita sorte, viu? Isso é muito difícil de acontecer. Veja se está  tudo aí —  disse o policial e me entrega a bolsa, me deixando aliviada. 

Abro, pego meu celular e vejo que tem cinco chamadas perdidas da minha tia, mas antes de ligar para ela, olho pro lado e vejo-a  olhando pro desembarque. 

— Tia Dani!

Ela está exatamente do mesmo jeito que me lembrava, baixinha, com cabelo curto, castanho, de óculos e bem elegante. Assim que me vê, dá um grande sorriso e vem em minha direção, mas logo se assusta ao ver os dois policiais na minha frente. 

— Eleonora, querida, o que houve? —  pergunta minha tia, mais direcionada para os policiais do que para mim.

— Olá senhora, boa tarde. É que sua sobrinha foi assaltada e levaram sua bolsa. Por sorte vimos e conseguimos pegar. Está tudo em ordem? — explica o policial e direciona a pergunta a mim

— Pelo visto está sim, muito obrigada!

— Cuidado, viu? O pessoal aqui não brinca em serviço — diz o outro policial. 

Minha tia agradece, fala que eu nunca estive aqui e que sou acostumada com cidade do interior e logo eles saem.

— Nora, você está bem? Eles te machucaram? São Paulo não é brincadeira, todo cuidado é pouco! 

— Tá tudo bem, tia.

— Ah, querida, como você cresceu. Está tão linda! Nem acredito que você já vai completar dezoito anos —  diz minha tia, me dando um abraço. —  Vamos, seus primos estão doidos para te ver.

Vou para o carro com minha tia e começo a observar a cidade. Prédios gigantes, pessoas passando rápido, avenidas enormes. Fico extremamente encantada, tudo tão diferente da minha cidade no interior. 

Após mais de uma hora no carro (bem que minha mãe disse que em São Paulo tudo é longe),  entramos numa rua cheia de prédios ainda maiores, até que minha tia para em um deles e vai para o estacionamento. Descemos e vamos até o elevador.

Entro no apartamento e meus primos vem me receber. Hugo, com vinte anos, e Fernanda, com treze. Ambos muito parecidos com a minha tia: cabelos  pretos, lisos e com o mesmo sorriso. Mas na altura, provavelmente puxaram o pai, já que são bem desenvolvidos. Eles me cumprimentam com um abraço e perguntam como foi a viagem, se estou com fome, o que estava achando de São Paulo. Fico meio sem graça, já que tem anos que não os vejo, mas respondo tudo.

— Ora, meninos, deixem a prima de vocês descansar um pouco! Está com fome, querida?

— Não, obrigada. Só quero tomar um banho e descansar 

Minha tia me mostra onde é o banheiro e depois vou para o quarto da Nanda, que vai ser onde vou dormir na minha estadia aqui em São Paulo. Ela está aqui assistindo TV.

— Oi, Nanda! O que está assistindo?

— Um youtuber chamado Lorenzo Cantarelli. Conhece?

— Nossa, ele ainda faz sucesso? Assistia quando era mais nova, mas depois que ficou se achando “famosinho”, parei.

— Não acho ele metido, muito pelo contrário. Ele é amigo do Hugo e sempre vem aqui em casa. E você não sabe do melhor, ele mora aqui no prédio, lá na cobertura. Faz um tempo que ele não aparece por aqui, estava viajando, mas esse vídeo é na casa dele, deve ter voltado.

Olho pra TV e vejo o rapaz, mais bonito do que era antes. Moreno, de olhos cor de mel, cabelo liso e curto, com o sorriso lindo e corpo malhado. Antes ele era bem magrinho, ainda uma criança. O tempo fez bem a ele. Pena que seja tão esnobe.

— Ele acabou de completar quatro milhões de inscritos. Estou assistindo o vídeo da comemoração — Nanda diz ao ver que estou prestando atenção no vídeo.

Mas antes que eu possa argumentar, minha tia entra no quarto e fala pra Fernanda ir assistir televisão na sala, para que eu pudesse descansar. Vejo que o celular de Nanda está  em cima da escrivaninha, mas ela pega antes de sair. Anoto mentalmente para ficar de olho caso ela deixe o celular. Preciso falar com uma pessoa. Resolvo dormir, já que não consegui pregar o olho dentro do ônibus.

**

Acordo sem saber onde estou e que horas são. Procuro meu celular ao lado da cama, onde costumo deixar, para ver o horário e, quando não o encontro, me recordo de tudo. Quase vinte dias sem celular e ainda não me acostumei. Nem em casa estou, pelo contrário, estou há quilômetros de lá. 

Percebo que minha barriga está roncando, não comi nada desde que cheguei. Olho pela janela e já é noite, pego o celular dentro da bolsa e vejo que já descarregou. Além de ser antigo, fiquei jogando o jogo da cobrinha para ver se passava o tempo.

Levanto da cama e vou para a sala, vejo que Nanda está no sofá jogando videogame com o Hugo e meus tios estão na cozinha. 

—  Nora! Como você cresceu desde a última vez que eu te vi. Tem uns cinco anos? —  entro na cozinha e meu tio, que estava trabalhando quando cheguei, vem logo me cumprimentar.

— Tio Alberto! Que bom revê-lo. Nunca mais vocês foram nos visitar, tem uns seis anos já — digo, abraçando-o

 – Que bom que você veio nos ver e passar as festas de fim de ano com a gente. Está com fome? Vem tomar café —  ele diz puxando uma cadeira para eu me sentar.

— Por falar em festas de fim de ano, acredita que ainda não montei a árvore de Natal? O Natal é daqui a quinze dias e vou precisar comprar uma nova amanhã, a outra está velha demais. Vamos comigo, Nora? Assim você já conhece um pouco da cidade — diz minha tia, que está sentada na mesa também. Concordei meio desanimada, não estava muito afim de sair, mas se eu não saísse seria pior.

Ficamos conversando um pouco sobre a nossa família que morava lá na Bahia, sobre São Paulo, a viagem, entre outros assuntos.

— Nora, vamos assistir um filme? —  Nanda apareceu na cozinha me chamando, já que tinha acabado de acordar, e decido ir. Ela coloca um de Natal na Netflix, chamado “O Feitiço de Natal” para, como ela mesma diz, “começar a entrar no clima”  da melhor época do ano.

**

— Nora, acorda! Vamos comprar a árvore de Natal hoje! — Acordo com Nanda me chamando e percebo que já é de manhã. Minha prima e eu nos empolgamos e acabamos assistindo uns dois filmes e, quando fomos deitar, demorei para pegar no sono. Fui dormir bem tarde, o que resultou no maior sono. — Vou tomar banho e me arrumar para ir, levanta vai! O café já está na mesa — diz e saí do quarto, logo em seguida.

Me levanto, arrumo a cama e, quando já estou pronta para sair, vejo que Nanda esqueceu o celular, em cima da escrivaninha. Fecho a porta do quarto e pego o aparelho, é a minha chance.

O celular não tem senha, então entro no Instagram e conecto minha conta. Preciso mandar mensagem pro Samuel, explicar o que aconteceu, o porquê de eu sumir e dizer que ele tem que me esperar. Mas enquanto procuro o perfil dele, escuto minha tia.

 — Nora, a Nanda te tirou da cama tão cedo, vim te dizer que… —  percebo que ela está olhando para o celular, com uma cara de brava que nunca tinha visto antes.

**

Quinze dias antes.

Dezembro chegou com um dia nublado e provavelmente vai chover, mas isso não vai me impede de ver Samuel. Estou cada dia mais apaixonada por ele, apesar de ter só dois meses de namoro, a felicidade que estou sentindo não tem igual. No entanto, meus pais são contra meu relacionamento e, se eu avisar que vou sair com Samuel, com certeza vão implicar. Por isso, quando eles estão distraídos, saio pela porta do fundo. Avisto ele num beco perto da praça e o observo, magro, alto, cabelo cacheado e estiloso, tão lindo. 

— Sam, que saudades! —  falo indo em sua direção lhe dar um abraço e um beijo. 

– Elí, também estava com saudades. Eu estava pensando, o Davi está dando uma festa,  que tal darmos uma passadinha por lá? —  ele diz com um sorriso no rosto e passando a mão pelo meu cabelo. 

— Poxa, mas queria passar esse tempo com você. Lá nem dá para gente aproveitar muito. Além disso, o pessoal é bem mais velho, eu sou menor de idade e não bebo, você sabe disso — digo, cruzando os braços.

— Mas vai ser rápido, amor. Eu só preciso conversar com um amigo para resolver um problema. Depois a gente volta — ele me dá um beijo e acabo cedendo.

Vou na festa e, como sempre, me sinto deslocada. Sam cumprimenta um monte de gente,  eu apenas o sigo e escuto a conversa deles, com um sorriso amarelo no rosto. Em um momento, Samuel vai resolver algo com um cara e me deixa sozinha no canto. Depois de uns trinta  minutos esperando, decido ir embora. Já está escuro e meus pais já devem saber que eu saí.

Chego em casa no maior silêncio, na esperança de que meus pais não tenham notado a minha saída, mas assim que entro, escuto:

— Eleonora, onde você estava? —  diz meu pai, com a voz rígida e uma cara de bravo 

— Eu estava na casa da Cecília — digo, sem coragem de encará-lo. 

Ele levanta do sofá e começa a gritar comigo:

 – Como você tem coragem de mentir para os  seus pais? Você estava com aquele cafajeste e em uma festa. Ou você acha que a gente não iria descobrir?

— Calma, Renato! Se acalme! Eleonora vai pro seu quarto que eu já vou lá falar com você — diz minha mãe.

Vou para meu quarto e tento ouvir o que eles estão falando atrás da porta, mas só escuto sussurros. Passa um tempo, minha mãe entra no quarto e quando começa a falar percebo um tom rígido, parecido com o do meu pai. 

— Eleonora, hoje, quando a Inês viu no Instagram uma foto com uma menina no canto parecida com você, me mandou e perguntou  se era minha filha. Eu disse que não, que você estava no seu quarto, mas quando cheguei e vi que você não estava —  ela dá um suspiro, tentando se manter calma e continua. — Eu já falei que não quero você envolvida com ele, mas você não me escuta! Ele é traficante, Eleonora! E já que você não escuta, seu pai e eu tomamos uma decisão. A partir de amanhã, vou te levar e buscar na escola, conversar com a diretora para me avisar caso ele apareça  por lá. Seu celular vai ficar comigo, até eu ver que você já é madura suficiente para ter um.

—  Não, mãe! Por favor, não pegue meu celular. Eu prometo que vou terminar com ele — digo, sentindo meus olhos cheios de lágrimas. 

Minha mãe me olha com uma expressão dura e diz. 

– Você me disse isso diversas vezes e confiei em você. Mas você mentiu e continuou se encontrando com ele, então vou fazer o que é necessário. E outra, conversei com Danielle e você vai para São Paulo assim que terminar suas aulas, amanhã mesmo vou comprar a sua passagem. Quem sabe passando uma temporada fora, você não toma um pouco de juízo e para de ser essa garota imatura?

Assim que ela sai do meu quarto, eu começo a chorar. O Samuel vai achar que eu não quero mais saber dele, mas eu quero e o amo. Vou para São Paulo contra minha vontade, mas se eles acham que isso vai me fazer esquecer o Sam, estão muito enganados.

**

Largo o celular na escrivaninha e fico olhando para minha tia, sabendo que vou levar uma bronca. Mas em vez disso, ela fecha a porta, senta na cama e faz sinal para eu me sentar também.

— Sabe, Nora, quando sua mãe me contou sua história com o Samuel, eu me lembrei de uma coisa que há muito tempo não me recordava. Você sabe que eu e sua mãe viemos novas para São Paulo trabalhar porque seus avós não tinham condições de nos sustentar e aqui tinha mais oportunidades — ela olha pra mim e eu apenas assinto, já sabendo da história toda e querendo saber onde vai chegar. — Assim que cheguei, conheci um rapaz tão lindo, galanteador e com um sorriso encantador, seu nome era Henrique. Logo me apaixonei e a gente começou a sair. Depois de um tempo, descobri que ele era traficante de drogas, mas o Henrique sempre me prometia que iria sair dessa vida. Um dia, ele foi me buscar no trabalho para comemorarmos seis meses juntos. Fomos a um restaurante e lá percebemos que tinha um homem nos encarando. Ele decidiu que tínhamos que ir embora logo. Entramos no carro e perguntei a ele quem era aquele homem, mas ele desviou a conversa, tentou demonstrar estar calmo, mas dava para ver que estava nervoso. Henrique precisou encontrar um amigo, disse que precisava “resolver uns assuntos” e pediu que eu o esperasse. Vi o mesmo cara do restaurante descer de um carro e entrar no mesmo lugar que meu namorado. Depois de algum tempo, escuto um tiro e no desespero, entro e vejo —  minha tia parou de falar e percebi que seus olhos encheram de lágrimas. — Ele estava caído no chão e ensanguentado. Queria ir até ele, mas o Gabriel, amigo de Henrique, me puxou dizendo que, se eu entrasse, ele iria me matar também. Descobri que ele estava devendo para aquele cara.

Ela termina de falar e não consigo esconder minha surpresa. Jamais imaginaria que algo semelhante com o que eu estou vivendo, tenha acontecido com a tia Dani. 

— Todos que estavam ao meu redor, inclusive sua mãe, me alertavam. Diziam para eu terminar enquanto era cedo, só que a paixão falava mais alto. Mas quem entra nessa vida, é difícil mudar — ela pega meu cabelo que está no meu rosto, coloca atrás da orelha e olha bem nos meus olhos. – Te contei isso porque sei como é. Ele promete que vai sair, não é mesmo? Ficamos com a esperança disso acontecer, do futuro que podemos ter juntos. Toda vez que eu tentava terminar porque estava cansada, ele dizia a mesma coisa e me enchia de esperança. Mas é tão perigoso. Hoje vejo o perigo que corri com muito mais clareza. Sei que não é fácil esquecer alguém, mas agora você está em São Paulo, não é você que desde pequena me pedia para te trazer para cá? Pois então, aproveite! Agora vai se arrumar, pois vamos na Rua 25 de março comprar a árvore de Natal. E nem pense em tentar pegar algum celular, estou supervisionando tudo — ela me dá um beijo no rosto e sai do quarto, levando o celular da Nanda.

**

— Nora, cuidado para não deixar cair as bolas da árvore de Natal! — diz Nanda, após me dar duas caixas enormes e pesadas, uma com a árvore e outra cheia de enfeites natalinos. Fernanda faz questão de comprar uma árvore enorme e, embora tia Dani não queira muito, acaba cedendo, principalmente com o drama da filha. Além disso, passamos no mercado para fazer compras, então a quantidade de sacolas aumenta ainda mais. Tia Dani ia buscar o carrinho de compras, mas como as sacolas enormes não iriam caber, decidi subir logo e depois voltar para ajudar. No entanto, quando estava chegando no elevador, alguém esbarra em mim, me desequilibro e caio, junto com os vários enfeites de Natal.

— Nora! Eu falei pra você ter cuidado – vejo Fernanda vindo correndo na minha direção, mas para pegar os enfeites.

– Eu não tenho culpa se alguém esbarrou em mim! — digo brava por não ter sido minha culpa.

— Desculpe, não foi minha intenção. Mas estava distraído e não vi você chegar —  diz a pessoa que causou o acidente, estendendo a mão para me ajudar. 

Quando eu olho para ele, levo um susto. Lorenzo Cantarelli é ainda mais lindo que nos vídeos. 

— Lorenzo, não ligue para minha prima. Ela é desastrada —  diz Nanda, que parece demorar a perceber quem estava lá. 

— Fernanda! Você disse que ia buscar o carrinho e ficou. Cadê ele à propósito? —  chega minha tia, com a maior voz e cara de brava, mas começa a observar a cena meio confusa e continua — Nora, o que você está fazendo no chão? 

Só então percebo que continuo no chão, distraída com a beleza do tal youtuber. Levanto no mesmo momento que respondo a minha tia. 

— Não foi nada. É que uns e outros são tão viciados no celular, que não olham por onde andam e acabam esbarrando em outras pessoas — digo, pegando as sacolas da mão de Nanda, que foi fazer o que a mãe mandou e pegar o resto das coisas no carro. 

— Lorenzo, querido! Você sumiu, nunca mais foi lá em casa. Perguntei sobre você para o Hugo um dia desses. Você está bem?

— Tia Danielle, quanto tempo. Eu estou na correria do trabalho, por isso andei sumido — diz, dando um abraço nela. 

— Aparece lá em casa um dia desses. E sua mãe? Como está? Outra sumida!

— Ela está bem, trabalhando bastante, por isso vocês não se veem mais. Ela é sua sobrinha? Não lembro de ter visto ela por aqui — ele diz, olhando para mim.

—  Sim! Que cabeça a minha, esqueci de apresentar! Essa é a Eleonora, veio passar uma temporada aqui com a gente. Nora, esse é o Lorenzo, amigo do Hugo e nosso vizinho — aceno para ele, meio sem graça. Na mesma hora, Fernanda chega cheia de sacolas.

– O carrinho quebrou! 

Lorenzo logo se prontifica a ajudá-la com as compras e fala que vai levar até o apartamento.

Cada um pega um pouco mais de sacolas e subimos juntos. Assim que chegamos, tia Dani vira pro Lorenzo e diz: 

— Por que você não almoça aqui? 

O rapaz concorda e vai atrás do Hugo, mas percebo que ele me observa algumas vezes, quando acha que eu não estou olhando. Vou logo tomar um banho, coloco um vestido azul Tiffany, de alcinha e fresco, já que está um calor insuportável, e vou ajudar tia Dani a pôr a mesa do almoço.

**

— Ele não é lindo? — pergunta Nanda, assim que minha tia sai da cozinha. Ficamos responsáveis por organizar tudo por lá. Enquanto eu lavo a louça, ela seca.

— Nem reparei.

Ela me olha com cara de quem não está acreditando no que eu disse, mas antes que possa argumentar, os meninos entram na cozinha com as taças de sobremesa e colocam na pia.

 — Desculpa, mais coisas para vocês lavarem — Lorenzo fala, mas eu apenas balanço os ombros e digo que não tem problema. Ele fica meio sem graça e sai.

 — Eleonora, você foi muito seca com ele!  — Nanda fala vindo em minha direção. — Coitado, saiu todo sem graça.

— Ué, não tinha nada mais para falar — termino de lavar a louça e vou para sala.

— Nora, me ajuda aqui! Tem que por esses conjuntos de galhos em cima dos outros, mas não alcanço — vejo que tia Dani organizou os enfeites de Natal no chão e agora está montando a árvore. — Não sei onde estava com a cabeça de deixar Fernanda me convencer a comprar uma árvore de quase dois metros.

Vejo que nem eu, que era mais alta que a tia Dani, não conseguiria colocar aqueles galhos, então pergunto se não seria melhor pegar uma cadeira. Ela diz que tem uma escada no quarto do fundo, que seria a melhor opção.

Quando estou em cima da escada, tia Dani me dá os galhos para montar, enquanto segura a escada para eu não cair. Chega Hugo e liga o videogame, minha tia pergunta onde está o Lorenzo e ele diz que está no banheiro. Passam-se alguns minutos e Lorenzo entra na sala, perguntando se queremos ajuda. Eu já ia negar, mas a tia Dani responde antes.

– Claro, querido! Hugo, venha nos ajudar também —  mesmo nitidamente contrariado, meu primo diz que vai ao banheiro primeiro. 

— Mãe, a Raquel mandou mensagem e disse para você ligar, o mais rápido possível —  Nanda aparece e vai direto ver os enfeites natalinos.

— Nora, desce daí e deixa o Lorenzo arrumar.

— Mas tia, eu consigo por todos. É só subir mais alguns degraus.

— Nora, Desce logo.

— Tia…

— Nora, você está de vestido, se você subir mais vai mostrar o que não deve — tia Dani diz baixo, mas não o suficiente para Lorenzo não ouvir. Ele faz uma cara de quem está segurando o riso. Sinto meu rosto ficar vermelho e desço, sem questionar.

— Vou ver o que Raquel quer, já volto —  minha tia vai para o quarto e eu, Nanda e Lorenzo ficamos na sala.

 Fico ajudando Lorenzo a montar a árvore, sem dizer nada, mas Fernanda puxa assunto. 

— Enzo, é verdade que você vai escrever um livro?

— É sim, Nanda. Já até comecei —  ele responde, empolgado.

— Uau, que legal. Vai ser sobre o quê? — pergunta Nanda.

— Sobre algo bem fútil, com certeza —  ok, não resisti. Sobre o que um garoto iria escrever em um livro? Não disse nada além da verdade. Sinto o olhar da Nanda e dele para mim. 

Ele, que estava abrindo os galhos de cima, para e olha para mim com uma expressão surpresa. Finjo que não vejo, mas antes de alguém dizer alguma coisa, tia Dani e Hugo entram na sala.

— Olha só, ele deu a desculpa de que ia no banheiro para ficar mexendo no celular no quarto e ainda deixar a visita aqui! —  diz a tia Dani e percebo que ela está com uma bolsa. — Vou ter que sair agora para resolver um problema na loja. Nanda, não deixe seu irmão fugir! Bote ele para ajudar! — ela manda um beijo e saí.

Nanda segue a ordem de sua mãe à risca e faz Hugo ajudar a montar e enfeitar a árvore com a gente. Quando finalmente terminamos de arrumar a árvore, já é de noite.

**

Depois que almoçamos, tia Dani vai com Nanda na casa da irmã do tio Alberto e eu decido ficar, já que estava com dor de cabeça. Tia Dani concordou, mas enfatizou bem que não teria acesso a nenhum meio de comunicação. 

Na verdade, não estava pensando tanto no Samuel e sim aproveitando bastante os dias. Apesar da saudade, pretendo resolver isso quando voltar. Nesses dois dias que se passaram, conheci o bairro da Liberdade, a Avenida Paulista e até andei de metrô! 

Todos esses passeios me fazem perceber que no mundo há muito mais para conhecer, tantos lugares, pessoas, culturas diferentes. Mas a gente acaba ficando no comodismo e perdendo tantos momentos bons que nos aguardam, e por isso faço uma promessa a mim mesma: não quero ter uma vida limitada, quero poder viver cada segundo intensamente.

A campainha toca, interrompendo meus devaneios. Quando vou atender, vejo que é o Lorenzo.

— O Hugo está?

— Deve estar para chegar, ele foi levar tia Dani e Nanda na casa de um parente. O carro da minha tia está na oficina, aí Hugo teve que ir — percebo que ele continua me olhando, sem saber o que dizer.

— Será que eu poderia esperar por ele aí? —  Mesmo contrariada, abro espaço para ele entrar. 

Lorenzo senta no sofá, olha para tv e pergunta o que estou assistindo, respondo que é The Vampire Diaries.

—  Nossa, você ainda assiste essa série? Ela é tão antiga.

— Melhor que muitos conteúdos que se tem na internet — sinto que ele me encara, mas não retribuo o olhar.

Ele ignora meu comentário.

— Uma vez fiz um vídeo com um visual diferente e uma inscrita do canal disse que eu parecia o Stefan —  eu começo a rir.

— Você? O Stefan? Só se for na chatice — “e na beleza também”, penso, mas não falo uma coisa dessa para ele se achar mais ainda.

— Ué, pensei que ele fosse o mocinho.

— E é! Mas o irmão dele, Damon, é o melhor! Você nunca assistiu The Vampire Diaries?

— Não

— E acha que tem o direito de falar mal?

— Eu não falei mal, só falei que é antiga. Mas já que você diz que é tão boa, por que não coloca um episódio para eu assistir?

— Você não tem cara de quem gosta de romance, por mais que TVD não seja só isso.

— Anda, Nora. Antes que Hugo chegue e eu tenha que ir – não digo mais nada e coloco no primeiro episódio para assistirmos.

Quando termina o primeiro, ele fala.

 — Até que é boazinha.

— Boazinha? Essa série é maravilhosa! Sabia que você não ia gostar, não sei nem porque coloquei.

— Ué, em nenhum momento disse que não gostei.

— E boazinha é o quê? Duvido você assistir a primeira temporada inteira.

— Quer dizer que você está duvidando da minha capacidade?

— Sim.

— Ok, eu vou assistir essa primeira temporada inteira e vou responder todas as suas perguntas. Em troca, quero que participe de um vídeo para meu canal.

— Eu, no seu canal?

— Tem medo?

— Não! Quer saber, combinado. Mas você tem apenas uma semana.

— Fechado — ele busca minha mão e aperta, como uma selagem da aposta, que deixa meu coração batendo mais forte.

Como não temos mais assunto, coloco outro episódio para a gente assistir, mas logo depois Hugo chega e eles saem, como tinham combinado.

**

— Nanda, já disse para você que não vamos comprar nada aqui, é tudo caro! – diz a tia Dani, quando Nanda pediu um picolé. — Nós trouxemos bastante coisa para fazer um piquenique.

Nanda dá uma resmungada, mas não diz mais nada sobre. É um fim de tarde bem quente e estamos no Parque Ibirapuera, para ver a árvore de Natal que dizem ser linda, mas só ligam as luzes mais tarde.

Viemos todos: tia Dani, tio Alberto, Nanda, Hugo, Lorenzo e sua irmã Victória, que ao contrário dele, é um amor de pessoa. Leticia, amiga de Hugo, também vai com a gente. Na verdade, eles não viriam, mas ele está interessado na Leticia e a chamou, com o pretexto de ficarem sozinhos.

Estamos todos sentados perto do lago, conversando, comendo e eu, para variar, encantada com mais um lugar novo e lindo. Às vezes, Lorenzo puxa conversa comigo e eu até respondo numa boa, mas não mudo minha opinião. Como ele e o Hugo vivem juntos, é impossível ignorá-lo por inteiro, quando ele fala sobre minha série favorita, não dá para evitar e aí que eu me abro mesmo, como nesse momento.

 Hugo e a Letícia estão na frente, Victória pede para Nanda tirar algumas fotos dela, ficando para trás e eu e o Lorenzo na metade, todos a caminho do Monumento às Bandeiras. Tia Dani e tio Alberto preferem ficar.

Lorenzo me pergunta o porquê prefiro Damon em vez do Stefan, já que Stefan tem jeito de ser o mocinho da série. Quando estou explicando, percebo que ele está me observando com um sorriso no rosto. Assim que percebo, pergunto: 

— Por que você está me olhando desse jeito?

— É porque você está sempre na defensiva comigo, acho que é a primeira vez que você me responde normal, sem um pé atrás – já ia retrucar, dizendo que era mentira. O único problema é que não tenho argumentos, então dou de ombros.

— Impressão sua. Melhor irmos mais rápido se não perdemos o Hugo de vista — tento apressar o passo, mas Lorenzo segura meu braço.

— Nora, por favor! Não adianta dizer que estou errado — ele olha em meus olhos, mas desvio o olhar. — É o seu namorado da Bahia? Ele é ciumento e não deixa você se relacionar com nenhum outro que não seja de sua família? Hugo me contou que ele tem envolvimento com o tráfico e eu acho…

Fico irritada e puxo meu braço, antes que ele termine de falar.

— Quem você pensa que é para saber da minha vida? Você não tem o direito de se intrometer e ainda falar do Sam. Bem que eu sempre soube que você é esnobe e se acha. Faça o favor de não falar mais comigo — antes que ele argumente algo, eu avisto Nanda e Victória, vou conversar com elas. Tiramos algumas fotos e logo chegamos no monumento, que era enorme.

— Nanda, duvido você subir lá – fala Hugo para sua irmã. Ela diz que não conseguiria mesmo e ele começou a zombar dela, o que fez Nanda ficar toda vermelha e com vergonha.

— Então tá, eu subo, mas não sozinha. Subo apenas se a Nora e o Enzo estiverem comigo.

— Ora, gente, é super fácil subir aqui. O segredo é ir pelo fundo – diz Vic, que simplesmente vai em direção ao monumento e sobe. Eu, Nanda e Lorenzo vamos para perto e observamos. Lorenzo sobe e estende a mão para Nanda, ajudando-a a subir.

Nanda vai andando atrás da Vic, mas Lorenzo fica e me oferece ajuda. Eu não aceito e digo que consigo subir sozinha. Depois de algumas tentativas fracassadas, subo e vou até onde Nanda e Victoria estão, sem olhar para ele.

O pôr do sol é lindo e Victória tira várias fotos com a gente. Nanda pede para tirar algumas delas e eu fico apenas observando. Foi quando Vic levantou. 

— Melhor a gente ir, já está escurecendo e não podemos perder a árvore de Natal — e desce, mas quando olho para baixo percebo que não iria ser tão simples assim.

Lorenzo desce e vai ajudar Nanda a descer, enquanto Victória avisa que viu uns amigos e vai cumprimentá-los. Eu observo. Não era tão alto, mas o suficiente para poder cair, enquanto eles desciam tive uma ideia: se para subir era mais fácil ir pelo fundo, então para descer também seria. Vou para o fundo e, quando percebo que Nanda e o Lorenzo já estavam no chão, me observando, dou um pulo, só não contava com o fato de poder desequilibrar e cair por conta da rapidez. Ainda bem que estou de short e não de vestido, como queria a princípio.

Lorenzo vem logo me ajudar e estende a mão, eu recuo, mas aceito a ajuda, já que Nanda começa a dar gargalhadas chamando atenção de todos, inclusive de Vic e seus amigos.

Levanto depressa e olho com cara de brava pra Nanda.

— Desculpa, Nora! É que foi muito engraçado.

Lorenzo, ao perceber meu desconforto, muda o assunto.

— Melhor a gente ir atrás de seus pais, Nanda, para podermos ver a árvore logo. Vic, vamos? — Vic se despede dos amigos e vamos, na metade do caminho, percebo que nem o Hugo e nem a Letícia estão com a gente. 

— Ué, cadê Hugo e Leticia? — Enzo e Vic se entreolham.

— Ai, Nora, sou eu que tenho treze anos, mas às vezes parece que trocamos de idade. Hugo e Letícia estavam doidos para dar um perdido em nós para ficarem a sós — diz Nanda, balançando a cabeça e segue em frente. Eu fico sem palavras da Nanda ser tão para frente.

Chegando lá, descobrimos que as luzes só acendem à noite, então ficamos conversando, tirando foto, tia Dani fazendo graça e todos nos divertindo.

Quando a árvore acende, é lindo. Ela é gigante e várias pessoas param para ver e admirar. Foi aí que percebi que o Natal não é só um feriado, o espírito natalino é algo inexplicável, faz com que a gente se sinta mais leve, ilumina a vida, como aquela árvore. Basta você se permitir e ir além…

**

Eu acho o apartamento da tia Dani grande, mas perto do apartamento da Vic e do Lorenzo, é pequeno. Na verdade, eu nem quero estar aqui, mas quando a Vic chega em casa nos chamando para a casa dela, dizendo que sua mãe tinha feito pizza para a gente, não tenho coragem de dizer não. Ainda mais que a tia Dani não deixa ela ir só com Hugo, já que é nítido que ele só tem olhos para a Letícia. E agora estou aqui, sem saber o que fazer direito.

A mãe deles vem logo nos cumprimentar.

— Nanda! Que saudade que eu estava de você! – e dá um abraço na minha prima.

— Tia Celina, você sumiu. Minha mãe até perguntou de você esses dias.

— Oh, Nanda. Estou em uma correria lá na empresa, mas avisa a ela que vou lá qualquer dia desses. E você é a famosa Eleonora? — ela pergunta direcionada a mim.

— Sou sim, prazer te conhecer, Dona Celina.

—  Oh, Nora. Bem que me disseram que você é super fofa. Não precisa me chamar de dona, me chama de tia, afinal amigos dos meus filhos são como meus sobrinhos — ela diz com um sorriso no rosto, indo, em seguida, terminar de preparar a pizza para a gente, nos deixando na sala. Fico me perguntando quem disse à ela que eu sou super fofa.

Lorenzo chega, cumprimenta todos com um beijinho e diz que demorou porque estava editando um vídeo, que tinha que postar hoje e vai ajudar sua mãe na cozinha.

Depois que comemos, vamos para o jardim do prédio e Nanda dá a ideia de jogar o jogo Quem sou eu?, que é basicamente escolher um tema, colocar um papel com o nome do objeto ou personagem na testa e as pessoas fazerem perguntas até a que está com o papel adivinhar quem é. E ficamos lá, reclamando de Nanda por dar dicas muito fáceis, como na vez que Hugo estava com a palavra “morango” e ela diz “minha fruta favorita”. Todos ficamos rindo e jogando por um tempão até que Vic e Letícia foram ao banheiro, mas não paramos o jogo.

— Eu sou uma fruta?

— Não.

— Um animal?

— Não.

— É uma profissão — diz Nanda baixinho, mas alto o suficiente para todos ouvirem.

— Fernanda, já disse para você que não dá dicas assim, que perde a graça! — repreende Hugo.

— Eu sou um médico? 

— Não.

— É preciso faculdade para exercer essa profissão?

— Não.

—  Famoso, Nora! — sussurra Nanda e Hugo olha para ela com uma cara fechada.

— Cantor.

— Acabou o tempo, era youtuber — diz Nanda.

— Ah, é. Eu esqueço que youtuber é profissão — balanço a cabeça e percebo Enzo ficar sem graça.

Fico sem ideia do que falar e Hugo e Nanda ficaram quietos. Logo em seguida, Letícia e Victória chegam.

—  Gente, vocês sabem que eu também tenho um canal, né? Eu queria gravar algo novo, já que ele está meio parado. Não sou igual ao Enzo, que é super dedicado. Então porque não gravamos esse jogo lá. Vocês topam? — Nanda, para variar, fica super empolgada. Leticia, Hugo e Lorenzo aceitam e eu, meio resistente, acabo concordando.

Fazemos o vídeo e provavelmente fica bem divertido, principalmente com as dicas sussurradas de Nanda.

Chego em casa bem tarde e vou logo deitar. O único problema é tirar a imagem de decepção do Lorenzo depois daquela parte do jogo. Depois disso, ele raramente me dirige a palavra. Na hora do vídeo, percebo que ele se solta muito, parece tão à vontade na frente das câmeras. Na hora de se despedir, mal olhou para mim. Preciso falar com ele e pedir desculpas.

**

Dois dias se passam e Lorenzo não aparece aqui em casa. Fico com vontade de perguntar ao Hugo porque ele some, já que desde que cheguei, ele sempre aparecia, mas fico com vergonha.  Nanda vai para casa de uma amiga e eu fico com a tia Dani. Estávamos conversando, quando a campainha toca.

— Celi, que surpresa! —  vejo que é a mãe do Lorenzo. Elas se abraçam e a Celina vem me abraçar.

— Nora, que bom te ver! — ela volta a falar com minha tia. — Dani, o Vitor tinha combinado de passar o Natal com o Enzo e a Vic, como fazem todos os anos, mas desistiu porque vai para uma viagem com a outra. Meus meninos ficaram tão tristes, principalmente o Lorenzo que é tão apegado ao pai.

Tia Dani e tia Celina conversam e eu apenas fico escutando. Pelo visto, Vitor é o ex-marido da Celina, pai do Lorenzo e da Victória e, depois da separação, passou a ver pouco os filhos, mas no Natal sempre fazia questão de passarem juntos.

— Celina, vem passar o Natal aqui com a gente! Vão ser poucas pessoas, mas damos conta de fazer a diversão.

— Oh, Dani. Seria ótimo! Assim pelo menos eles não pensam tanto no pai.

— Vem mais tarde todos vocês, vamos fazer um amigo secreto já para começar a animar. O que acha?

— Dani, você é maravilhosa! Vou mandar mensagem pros meninos avisando pra virem aqui mais tarde. E a ceia? Eu quero ajudar a preparar!

E assim começam a conversar sobre os preparativos. Peço licença e vou tomar meu banho, sentindo meu coração acelerar só de lembrar que verei o Lorenzo.

Mais tarde, começamos o sorteio do amigo secreto.

— Peguem um papel e não revelem a ninguém, a não ser que você pegue o seu próprio nome — diz a tia Dani, balançando a mão com os papéis. Estava eu, Nanda, Hugo, tia Dani, tio Alberto, Vic, Lorenzo, tia Celina e alguns parentes do tio Alberto.

Sou a segunda a pegar o nome e tiro o tio Alberto. Guardo o papel e Nanda já sussurra, perguntando quem eu tinha tirado. Falo que não posso dizer e ela revira os olhos. Porém, no mesmo momento, a Vic diz que tirou o próprio nome, comprova e todos entregam os papéis. Da segunda vez, quando tiro o papel e vejo o nome, sinto meu coração dar uma chacoalhada. Lorenzo. E dessa vez não precisou mudar.

**

Coragem, Eleonora, coragem. Fico repetindo essa frase na minha cabeça para ver se fazia algum efeito. Estou em frente ao apartamento do Lorenzo há uns minutos, mas sem coragem de bater na porta. Quando finalmente resolvo bater, a tia Celina aparece.

— Nora! Que bom te ver.

— Oi, tia Celina. Tudo bem? É… o Lorenzo está?

— Entra, querida! Já vou chamá-lo, só um momento. –

Fico na sala de estar esperando, ele chega com uma expressão confusa, sua mãe avisa que vai para o quarto e se precisarmos de algo, é só chamar, e sai em seguida. Fico com vergonha de dizer algo, principalmente pela expressão séria em seu rosto.

— Eleonora, não esperava vê-la aqui. Principalmente depois de você dizer que não queria mais falar comigo.

— Lorenzo, eu gostaria de me desculpar. Sei que errei em dizer aquilo sobre sua profissão e imagino que você tenha ficado chateado, já que está me evitando.

Ele dá uma risada sarcástica.

— Sabe, Eleonora, quando você chegou, confesso que  fiquei bem interessado em você. Sua personalidade meiga e decidida me encantou e, por trás daquele jeito brusco que você me tratava, estava uma garota doce e bem humorada. Dava até algumas desculpas para ir te ver, mas você não mudava. Cheguei a perguntar ao Hugo o porquê disso e ele me contou do seu namorado na Bahia, mas eu queria saber direito essa história e, se eu visse que você era mesmo apaixonada por ele, iria sugerir uma amizade, porque gostei de você. Só que, quando vi sua reação à menção dele, percebi que nem isso daria. E, naquela noite, percebi que me enganei. Você não é como eu pensava e sim uma pessoa metida, que nem sequer deu chance de me aproximar, que julga e…

Interrompo ele, com um tom de voz mais alto.

— Falou a pessoa que tem a fama em cima de tudo. Pois eu lembro Lorenzo, de alguns anos atrás, como você ficou metido, arredio até com os fãs e, mesmo que se esconda por trás de uma máscara de bom moço, sei bem seu estilo e não tolero falsidade. Queria ficar em paz com você, pois fiquei com a consciência pesada por ter dito aquilo, mas foi um erro e já vou embora — vou em direção a porta. 

— Eleonora, espera. Tenho algo a te dizer — ele faz sinal para que eu me sente, mas apenas dou uns passos em sua direção e cruzo os braços. Depois de um suspiro ele retoma a fala. — Há uma coisa que você não sabe. Nessa época que você diz que eu mudei, não foi por causa da fama, mas porque meus pais estavam tendo brigas constantes. Minha mãe descobriu que ele a estava traindo e, logo depois, eles se separaram. Não queria contar isso ao meu público, por medo do que iam falar, além de eu ter ficado muito mal. E tem outra, meu pai não é presente na minha vida depois da separação, mas o Natal sempre fez questão de passarmos juntos, Vic, ele e eu. Tínhamos tradições e nunca as desperdiçamos, só que esse ano ele vai viajar com a namorada nova, ou você acha que vou passar o Natal na casa de vocês por vontade própria?

Lembro da conversa da tia Dani com sua mãe, só pensei que fosse exagero de Celina falar que ele era apegado ao pai. Foi então que enxerguei o Lorenzo por outros olhos. Ele não era mais o famoso youtuber, esnobe e metido, mas um garoto que tinha suas mágoas e era sensível. Confesso que comecei a admirar sua força e coragem.

— Poxa, não sabia disso.

— Agora sabe.

Sem ter o que dizer, lembro dele me perguntando no dia do parque sobre o Samuel e contei tudo a ele, toda a minha história com o Sam. Quando termino, espero pelo julgamento, só que ele apenas me observa.

— Você prestou atenção no que eu disse? — pergunto.

— Cada palavra.

— E não vai dizer nada?

— E você me escutaria? Quantas pessoas já te disseram o quanto é perigoso? Não vou gastar minhas palavras sabendo que você não vai me ouvir.

— Você é um cara legal — digo e vejo um sorriso em seu rosto. — Bom, eu já vou. Disse a tia Dani que não iria demorar.

— Eu imaginava que a Katherine não estivesse na tumba e como você pode gostar daquele Damon?

— Você assistiu! Nem me lembrava mais da nossa aposta. Agora terei que gravar um vídeo com você ou o do canal da Vic conta?

— Não, a aposta era para o meu canal. Que dia você está livre?

— Amanhã, pode ser?

— Fechado.

Vou para a porta, dou um abraço de despedida e vou para o elevador. Me sinto feliz, afinal ele é uma boa pessoa e será um bom amigo.

**

Estou no shopping, procurando algo para comprar de presente de amigo secreto. Hugo, Nanda, tia Dani e eu estamos aqui, mas separados. Marcamos um lugar para nos encontrarmos e um horário, assim podemos comprar os presentes sem que ninguém veja. Mas o problema é: o que eu poderia comprar?

Vou a algumas lojas e não acho nada de interessante, até que vejo uma de itens personalizados, acho uma garrafinha escrito “Sei que você ama sua profissão, mas não se esqueça de se hidratar” e levo, achando que ele poderia gostar.

Chego em casa quando está quase escurecendo, peço ao Hugo para mandar mensagem para o Enzo avisando que vou tomar banho antes de ir. Fico pensando em que roupa colocaria e escolho uma saia jeans com uma blusa ciganinha estampada e uma sapatilha. Deixo o cabelo solto e faço uma maquiagem bem básica.

— Oi Nora, entre! Estou esperando a Letícia para a gente ir encontrar uns amigos — Vic abre a porta, toda arrumada.

— Vic, você está linda! – Ela abre um sorriso. — Obrigada, Nora! Vamos marcar um dia para sair. Tem tanto boy bonito — e dá uma piscadinha. Logo em seguida, Lorenzo entra na sala.

— Nora, já vou descer e esperar a Let — ela me dá um beijinho e saí.

— Vem, Nora. Já arrumei o cenário para a gente gravar.

Ele me chama pro estúdio dele e percebo que é bem organizado. Quando gravamos com a Vic, foi na área externa e não cheguei a entrar aqui.

— Uau!

De um lado tinha bastante luzes, um cenário, uma câmera e um pequeno sofá. Já do outro, uma escrivaninha, com um notebook e uma estante.

— O que foi? Achou que encontraria uma bagunça?

Fico meio sem graça, respondo que não era isso e ele sussurra, me deixando arrepiada com a proximidade.

— Bagunça é no meu quarto — ele dá uma piscadinha e me chama para o sofá. — Olha, Nora, vai ser assim: elabore dez perguntas e anote aqui, aí corta, enrola e coloca nessa cestinha, eu farei o mesmo e ambos teremos que acertar.

— E se errar? — Pergunto a ele, que abre um sorriso travesso e pega um pote de chantilly e dois pratos.

— Ah, não! Vou ficar toda suja.

— Ué, é só acertar todas! Vamos ver até onde vai seus conhecimentos, Eleonora Martins.

— Ei, como você sabe meu sobrenome? Martins é da parte do meu pai.

Ele balança os ombros e diz, sem me olhar e virado pra escrivaninha cortando os papéis.

— Talvez tenha dado uma de stalker e te pesquisado nas redes sociais. Ninguém é de ferro. Pega! — Ele joga uma caneta para mim, para elaborar as perguntas.

Gravamos o vídeo, fico meio tímida no começo, mas logo vou me soltando e me divertindo à beça.

— Espero que eu não encontre ninguém no elevador, olha minha situação! —  Quando acaba, tem chantilly até no meu cabelo. Enzo não está diferente.

— Pegue essa toalha, eu acompanho você na sua casa fica tranquila.

— Ah, que ótimo! Dois sujos no elevador, a vergonha diminuirá muito — ele começa a rir e eu tento tirar o chantilly, só que tinha até na minha roupa!

Passo a toalha no rosto.

— Limpou tudo? Pelo menos o rosto — Enzo dá uma risada, vem em minha direção, pega a toalha da minha mão e passa no meu rosto. Nesse momento, ele olha em meus olhos e começo a sentir meu coração batendo mais forte. Sem pensar, olho para sua boca, fazendo ele se aproximar ainda mais. Quando estamos muito perto, ele recua e olha em meus olhos como se tivesse pedindo permissão, minha resposta é beijá-lo, fazendo com que meu coração dê vários pulos e assim ficamos por um tempo, até ouvirmos bater na porta e nos afastamos.

— Atrapalho? — Aparece tia Celina. — Ouvir que vocês pararam de conversar, imaginei que vocês teriam terminado a gravação e vim aqui chamá-los para vim tomar um café.

— Oi, mãe, já estamos indo, só vamos terminar de arrumar aqui.

Assim que a tia Celina sai, Lorenzo abre um sorriso e olha para mim.

— Onde paramos?

— Acho melhor continuarmos depois, nos limparmos logo e irmos, antes que sua mãe estranhe e decida voltar — ele concorda, me dá um beijo rápido e nos limpamos o máximo que conseguimos, porque para limpar tudo, só um banho.

Tomamos café com tia Celina e depois vou embora. Lorenzo oferece para descer comigo para eu “não passar vergonha sozinha”.

— Poderíamos descer de escada — digo, apontando para a porta onde está a escada.

— Nora, queira me desculpar, mas sua tia mora no oitavo andar e aqui é o vigésimo terceiro! 

Dou um suspiro e chamo o elevador, que chega vazio. Vamos conversando um pouco, até que, no décimo terceiro andar, entra uma mulher. Apesar de nos olhar de cima a baixo, ela fica quieta.

Entraram mais algumas pessoas e quando vamos descer escuto alguém falar.

— Não sei como em um prédio tão fino como esse, deixam entrar essa gentinha.

Assim que o elevador fecha, Lorenzo e eu começamos a rir, principalmente da cara das pessoas ao nos ver.

— Quer entrar?

— Acho melhor não, olha o meu estado! Vou tomar um banho para editar um vídeo, mas antes venha cá, vamos tirar uma foto para lembrar de como ficamos — ale me abraça e tira uma selfie.

— Posso postar no Instagram?

— Claro, só não vou ver porque estou sem celular.

— Antes de mais uma coisa.

— O que?

Como resposta, ele me dá um beijo que não dura muito, já que a porta abre e escuto tia Dani.

— Oh, desculpe interrompê-los! Esqueci de pôr o lixo para fora.

— Tudo bem, tia Dani. Só vim acompanhar Nora, que estava com vergonha de descer sozinha nesse estado — Lorenzo explica, meio envergonhado e eu sinto meu rosto ficar vermelho. Ele acena para gente e chama o elevador.

— Tia Dani, eu posso explicar, é que…

— Explicar o que? Eu não vi nada — Interrompe a tia Dani, me dando uma piscadinha e começando a falar da ceia de Natal.

**

— Nanda, atende a campainha que estou lavando a louça! — Percebo que ela não escuta, seco minha mão rapidamente e vou atender, já que tia Dani estava no mercado.

Quando abro levo um susto 

— Mãe, Pai! — Corro para abraçar os dois — Que saudades!

— Filhinha, parece até que você cresceu nesses dias — diz minha mãe e começo a rir do exagero, afinal tem apenas algumas semanas que nos vimos.

Tia Dani chega e pergunta se gostei da surpresa e ficamos conversando bastante.

— Nora, eu e seu pai conversamos bastante e decidimos comprar um presente de Natal para você — minha mãe estende um embrulho e quando abro dou um pulo de alegria.

— Um celular novo! – Abraço minha mãe e vou logo ligá-lo.

— Só tem uma coisa, Nora. Se eu souber que você está conversando com aquele cara…

— Pode deixar, mãezinha. Isso não vai acontecer.

Vou logo instalar as redes sociais, doida para conversar com minhas amigas e vejo que tem várias mensagens e uma delas fez meu coração dar mais pulos ainda.

@LorenzoCantarelliOfc seguiu você

Vejo que ele postou a foto que tiramos ontem nos stories com a legenda “Apesar da vergonha que passamos de entrar no elevador assim, foi ótimo. Em breve o vídeo no canal!

Reposto e respondo, dizendo que já estava com saudades. Ele visualiza e não responde nada, mas minutos depois aparece.

— Nora, levei um susto quando vi que você respondeu meus stories e vim logo te ver.

Dou um sorriso ao vê-lo e mostro meu celular novo.

— Uai, Elí! Você saiu do castigo? — Com esse apelido, uma lembrança vem à minha mente, Da única pessoa que me chamava de Elí: Samuel.

— Algum problema? – Percebo que Lorenzo está me olhando com uma expressão preocupada.

— Não, nenhum. Meus pais chegaram e trouxeram esse presente.

— Seus pais estão aqui? — Dessa vez, a preocupação está estampada em seu rosto. Dou uma risada e um beijo bem rápido, depois de verificar se não estava vindo ninguém.

— Eles são bons, relaxa. Só não te apresento agora porque eles foram descansar um pouco. Vem ver as fotos das minhas amigas que eu te falei, tem tantas mensagens que ainda nem li todas.

— Nora, vem cá! – Escuto minha mãe me chamar e deixo Enzo com meu celular olhando as fotos da galeria que eu tinha sincronizado no e-mail.

Minha mãe queria me mostrar umas roupas novas, mas digo que um amigo está me esperando. Ela diz que já ouviu falar desse tal amigo e que daqui a pouco irá conhecê-lo.

Volto para sala, mas vejo que o Enzo não está. Vejo que meu celular está com a tela ligada, quando vejo o que tem, meus olhos enchem de lágrimas.

Elí, meu amor. Não sabe a saudades que eu estou de você, aproveite São Paulo, estou te esperando aqui.

Esta mensagem está na barra de notificação. Quando abaixo, vejo fotos minhas e do Samuel juntos. Vou para casa do Lorenzo e toco a campainha, tia Celina abre e eu faço o maior esforço para segurar o choro.

 — Tia Celina, poderia chamar o Lorenzo?

— Nora, o que houve? Que cara é essa? O Lorenzo não está, disse que ia te ver. Ele não foi?

Digo que devemos ter desencontrado para não alongar a história e volto para casa. Mando mensagem para ele no Instagram, já que não tenho seu número, e vou ajudar tia Dani e minha mãe a preparar a ceia.

**

— Filha, eu estava pensando. Quando sua tia me disse que você estava diferente nessas poucas semanas que chegou, achei que dizia só para me convencer, mas assim que cheguei, percebi que você cresceu e não foi fisicamente. Estava pensando, como você concluiu o ensino médio esse ano e nossa cidade é pequena e não tem oportunidades, pordque você não faz faculdade aqui? — Viro rapidamente para minha mãe, achando que ela tinha enlouquecido. Jamais imaginei que ela me faria uma proposta dessa.

— Mas mãe, nosso plano era eu fazer faculdade em Vitória da Conquista, a cidade que tem faculdade e é mais próxima da nossa.

— Eu sei, mas senti que São Paulo te fez tão bem e Dani já me disse que as portas da casa dela sempre estarão abertas para você. Isso não é algo para você decidir agora, mas pense bem, viu?

Fico em choque e me lembro do Lorenzo, se pelo menos tivéssemos algo concreto. Tento tirá-lo dos meus pensamentos e vou me arrumar. Coloco uma calça envelope, uma blusa vermelha de alça, uma sapatilha preta, o cabelo deixo solto, com uma tiara de pérolas e faço uma maquiagem básica.

Saio do quarto e vou ver se o pessoal precisa de ajuda na cozinha. Quando estou colocando algumas travessas na mesa, Nanda chega.

— Uau, Nora. Como você está linda! – E em um tom mais baixo complementa. — Lorenzo passou aqui e pediu para te entregar um envelope e está lacrado, deixei no quarto.

— Ele não vai vir? Nora, porque você não me chamou?

— Calma, desesperada! Ele disse que ia se arrumar para vir com a mãe mais tarde e foi rápido. Aconteceu alguma coisa para você ficar assim?

— Não, está tudo bem. Minha maquiagem está no banheiro, se quiser usar — antes que ela possa argumentar, vou para o quarto, mas tia Dani me chama para conhecer uns parentes do tio Alberto, que não estavam no dia do sorteio do amigo secreto.

Quando finalmente consigo ir até o quarto, vejo um envelope em cima da cama.

Eleonora,

minha mãe me disse que você veio me procurar. Vi as mensagens que você me mandou e quero deixar claro uma coisa: se você tem algum pingo de consideração por mim, não me dirija a palavra essa noite. Você sabe que o Natal é uma data significativa para mim e não quero estragar mais. Já não basta a decepção de hoje.

Antes que eu possa segurar, algumas lágrimas escorrem, mas seco logo e verifico se a maquiagem está intacta. Estou conversando com Nanda e sua prima, quando avisto Enzo conversando com Hugo e Vic. Decidi esperar uma oportunidade para conversar com ele, já que, no meio de tanta gente, poderia ser pior. Tinha que ser quando estivermos sozinhos.

Continuo a observá-lo, está com uma camisa azul escuro e calça jeans, ainda mais lindo que no normal. Lorenzo não fica sozinho, o que começa a me deixar estressada. Estou sentada no sofá mexendo no celular, quando a tia Dani grita.

— Pessoal! Agora é a hora do amigo secreto, peguem os presentes e venham para cá.

Com tanta coisa acontecendo, já tinha me esquecido. Vou no quarto buscar o presente do Lorenzo e fico feliz em pensar que irei falar com ele, mesmo que com todos nos olhando.

— Quem quer começar? – Diz tia Dani e Nanda vai, na maior empolgação. Dá uma descrição da pessoa e as pessoas adivinham, até chegar em tia Dani.

— A pessoa que tirei tem cabelo ondulado, longo e castanho claro, com uma personalidade forte e ao mesmo tempo bem meiga. 

— Nora! — Grita Nanda

— Isso! Nora, minha sobrinha querida, é você — e vem me abraçar. Abro e vejo que é um perfume que eu tinha visto e amado em uma loja que fomos.

Apesar do frio na barriga, tento não parecer nervosa.

— A pessoa que tirei me ajudou muito na minha estadia aqui, apesar de eu ter tido uma opinião errada sobre ele no começo. Percebi depois que é uma das melhores pessoas que eu já conheci e quero sempre na minha vida. O Lorenzo — quando olho para ele, está com uma expressão de surpresa no rosto, me dá um abraço e recebe o presente. Ele diz quem tirou, entrega o presente e faz um sinal para eu segui-lo.

— Enzo, eu não tinha visto aquela mensagem. Desde que ficamos juntos, eu não tive olhos para mais ninguém, além de você e… — Digo assim que saímos da varanda e fomos para o corredor.

— Eu sei, Nora — ele tira do bolso uma caixinha e me dá. Quando abro, dou um sorriso imenso

— O colar que Stefan deu para Elena em The vampire Diares! Enzo, eu amei! — Ele pega da minha mão e põe em mim.

— Sua tia me contou tudo e disse até que você tem a possibilidade de morar aqui. É verdade?

— Por você, ficaria sim. Juro para você que o Samuel não significa nada para mim.

— Então hoje podemos ressignificar o nosso Natal como nosso aniversário de namoro. Que tal?

— Você tá me pedindo em namoro?

— Você aceitaria? — Como resposta lhe dou um beijo, que não dura muito já que ouvimos pessoas vindo e tia Dani gritando.

—  Já é meia noite! Feliz Natal! – E todo mundo começa a se abraçar.

Esse ano, o Natal teve um novo significado. O que antes para mim era apenas um feriado, hoje é uma data importante. E um dos motivos de ir tão além, é a pessoa com o sorriso em minha direção, do outro lado da sala e, atrás dele, as luzes da árvore de Natal. Só que o sorriso de felicidade em nossos rostos brilha muito mais.

Tulipa Editora

Comment One

  1. Tô apaixonada pela Eleonora e pelo Lorenzo, não consegui parar de ler um segundo, perfeita a história…❤❤❤❤
    Parabéns Fanyyyy vc merece todo o sucesso do mundo, q esse conto vire um grande livro para q as pessoas conhecerem o seu talento e o romance de Eleonora e Lorenzo… Apaixonada demaiss

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